:: Esclerose lateral amiotrófica
Doença de Charcot, ALS (Amyotrophic Lateral Sclerosis), doença de Lou Gherig, Doença do neurónio motor, ELA
Definição:
A ELA é a mais frequente das doenças do neurónio motor do adulto. Esta doença associa-se a morte progressiva dos neurónios motores centrais (que partem do córtex até à espinal medula ou ao tronco cerebral) e periféricos (da espinal medula ou do tronco cerebral até ao músculo).
Para mais informações:
ver sumário da Orphanet
| Menu | |
| Recomendações de cuidados pré-hospitalares de urgência |
|
| Recomendações para os servicos de urgência hospitalares | |
Recomendações de cuidados pré-hospitalares de urgência
Respeitante a portador de esclerose lateral amiotrófica
Fazer o download das recomendações para os cuidados médicos pré-hospitalares no formato pdf (clicar com o botão direito do rato). Sinónimos
- ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), Doença de Charcot, doença de Lou Gherig, doença do neurónio motor
Mecanismo
- destruição progressiva dos neurónios motores centrais e periféricos
Situações de emergência
- dificuldade respiratória (envolvimento dos músculos respiratórios, broncopneumonia, tromboembolismo pulmonar, atelectasia)
- engasgamento (problemas da deglutição)
- alterações graves do trânsito digestivo (oclusão)
- problemas relacionados com a sonda de gastrostomia
Tratamentos frequentemente prescritos a longo prazo
- riluzol (neuroprotetor)
Complicações
- - alterações do trânsito gastrointestinal agravam a dificuldade respiratória (distensão abdominal)
- - decisões de entubação necessitam da aprovação do doente ou de familiar direto (diretivas antecipadas escritas).
Particularidades dos cuidados médicos pré-hospitalares
- transporte medicalizado se necessário, em posição meio-sentado com oxigénio ou ventilação não invasiva dependendo da situação respiratória
- aspiração das secreções brônquicas
- aerossóis, cinesioterapia respiratória, antibioterapia de largo espetro
- escopolamina SC ou bloqueador beta para secar secreções
- após estabilização enviar o doente para o centro de referência especializado
Para mais informações
Situações de urgência
Problemas respiratórios
O envolvimento respiratório surge como consequência direta do envolvimento dos músculos respiratórios pela doença. A procura sistemática de uma causa desencadeadora é obrigatória: tromboembolismo pulmonar, broncopneumonia, broncoespasmo, atelectasia.
- Medidas de diagnóstico de emergência
- Avaliação respiratória:
- saturação de oxigénio (via transcutânea).
- gasometria arterial (realizada logo que possível)
- radiografia ao tórax (realizada logo que possível)
- a medição da capacidade vital é importante nos cuidados de emergência.
- Avaliação dos indicadores de gravidade:
- tiragem supra-esternal
- respiração paradoxal
- cianose
- sinais clínicos de hipercapnia (alteração da vigília, sudorese, cefaleias).
- Procura do fator desencadeante:
- D-dímeros,
- TC torácico (que pode ser impossível se ortopneia importante),
- ecodoppler dos membros inferiores.
- Avaliação respiratória:
- Medidas terapêuticas imediatas
- Em caso de insuficiência respiratória aguda:
- Colocar o doente em posição meio-sentado
- Diminuir broncoespasmo associado com problemas da deglutição ou secreções salivares
- Tratar o fator desencadeante identificado: aspiração, tromboembolismo pulmonar, infeção brônquica
- Se oxigenoterapia nasal tiver sido iniciada, ajustar o débito de oxigénio em função da pCO2, de acordo com gasometria arterial e valores da saturação.
- Se for possível considerar o uso de ventilação não invasiva.
- Utilizar, se necessário, doses baixas de morfina, para regularizar o ritmo respiratório
- Se a situação for grave, todas as decisões de entubação têm de ser tomadas com a aprovação do doente ou de familiar direto (de acordo com diretrizes antecipadas escritas).
- Em caso de insuficiência respiratória aguda:
| Critérios clínicos | Sintomas de hipoventilação alveolar noturna ou diurna: dispneia, ortopneia, fragmentação do sono, ressonar, apneias noturnas, acordar súbito com a sensação de sufoco, sonolência diurna, cansaço, cefaleias matinais, deterioração cognitiva não explicável |
| Critérios paraclínicos | Um dos critérios seguintes:
|
-
- Em caso de obstrução brônquica:
- Aspiração de secreções brônquicas
- Utilizar antibióticos de largo espetro
- Iniciar expetoração assistida com cinesioterapia (tosse assistida)
- Nebulizações e tratar os problemas de deglutição
- Escopolamina subcutânea em pequenas doses (¼ a ½ ampola sc 3id ou 4id) para diminuir secreções.
- Bloqueadores beta quando as secreções brônquicas são espessas, na ausência de contraindicações e com dose ajustada à tolerância cardíaca.
- Em caso de obstrução brônquica:
Problemas da deglutição
-
Medidas terapêuticas imediatas
- Em caso de aspiração
- Vias aéreas superiores livres e manobra de Heimlich na fase aguda
- Tranquilizar o doente e familiares
- Oxigenoterapia
- Administração de 5mg de morfina sc em caso de ansiedade
- Posteriormente, Rx do tórax e antibioterapia de largo espetro em caso de aspiração
- Em caso de alimentação oral impossível:
- Manter um bom estado de hidratação através da administração de líquidos (via subcutânea ou intravenosa) em função do estado clínico e ionograma
- Sonda nasogástrica como solução temporária até colocação de uma sonda de gastrostomia. Evitar uma realimentação demasiado rápida (menos de 500 cc por 24h durante os dois primeiros dias)
- Em caso de aspiração
Problemas relacionados com a sonda de gastrostomia
-
Medidas terapêuticas imediatas
- Em caso de inflamação em torno da sonda de gastrostomia:
- Antisséticos locais
- Antibioterapia parentérica se houver sinais de infeção sistémica
- Drenagem cirúrgica em caso de abcesso da parede
- Obstrução da sonda de gastrostomia:
- Manipular suavemente a sonda para fragmentar a obstrução
- Utilizar uma seringa de calibre grande para injetar água morna na sonda
- Em caso de insucesso, injetar 2 ml de água oxigenada na sonda. Se o obstáculo não sair rapidamente, deixar atuar cerca de 1/2 hora, e tentar desobstruir novamente.
- Em último recurso, mudar a sonda.
- Sonda de gastrostomia removida:
Trata-se de uma urgência, uma vez que o estoma se fecha em poucas horas.- Inserir no orifício da gastrostomia um cateter urinário sem encher o balão, fixá-lo e entrar em contacto com serviço de gastroenterologia o mais rapidamente possível.
- Em caso de inflamação em torno da sonda de gastrostomia:
Problemas do trânsito intestinal
As alterações do trânsito intestinal podem ser responsáveis por um agravamento importante do estado geral, uma vez que a distensão abdominal pode limitar a expansão do diafragma e acentuar os problemas respiratórios.
-
Medidas terapêuticas imediatas
- medicamentos osmóticos, laxantes leves ou clisters
- avaliação cirúrgica nalguns casos
- Avaliação respiratória prévia (gazimetria, capacidade vital) em todos os casos.
- Evitar curarizantes e medicamentos com ação depressiva respiratória.
- Preferir anestesia loco-regional.
- Em caso de insuficiência respiratória, ao realizarmos uma anestesia geral parcial sem entubação (neuroleptanalgesia) corremos o risco de agravamento respiratório durante ou após a intervenção.
- A decisão de entubação na urgência deverá ter sido previamente discutida com o doente ou familiar direto.
- Ao realizarmos uma intervenção sob anestesia geral completa com entubação num doente com insuficiência respiratória corre-se o risco de não ser possível extubar ou desligar a ventilação após intervenção. Esta possibilidade deverá ser abordada com o doente e com a sua família.
- Adaptar os sistemas de chamada do doente às suas possibilidades verbais e motoras (por exemplo, campainha tátil ou contactos musculares ligados à campainha).
- Auxiliares de comunicação (síntese vocal, quadro de letras ou de pictogramas, …)
-
Em caso de problemas da deglutição
- Os alertas de deglutição devem ser transmitidos a toda a equipa de tratamento para prevenir aspirações: posição sentado, costas o mais direitas possível, deglutição com a cabeça inclinada para a frente, com o queixo para o externo.
- Adaptação da alimentação: enriquecimento, suplementos nutritivos, adaptações da textura, utilização de espessantes, água gelificada
- Manter um trânsito regular para evitar a obstipação.
Interações medicamentosas
Sem contraindicação nem cuidados particulares ligados à prescrição de riluzol.
Anestia
Medidas terapêuticas adicionais e hospitalização
Doação de órgãos
Doação de órgãos não está contraindicada por esta doença
Bibliográfica
Verdon R, Dargère S: Complications infectieuses de la gastrostomie percutanée endoscopique. Nutri Clin métabol 2000, 14 : 149-152.
Ludolph AC: 135th ENMC International Workshop: Nutrition in Amyotrophic Lateral Sclerosis 18-20 of March 2005, Naarder, The Netherlands. Neuromuscul disord 2006, 8:530-538.
Andersen PM, Borasio GD, Dengler R, Hardiman O, Kollewe K, Leigh PN et al.: EFNS task force on management of amyotrophic lateral sclerosis: guidelines for diagnosis and relatives. Eur J Neurol 2005, 12:921-938.
Couratier P, Desport JC, Antonini MT, Mabrouk T, Perna A, Vincent F, Melloni B: Prise en charge nutritionnelle et respiratoire des patients atteints de sclérose latérale amyotrophique (SLA). Rev Neurol 2004, 160 :243-250.
Desport JC, Couratier P: Evaluation de l'état nutritionnel lors de la sclérose latérale amyotrophique. Rev Neuro 2006, 162 :4S173-4S176.
Perez T: Sclérose latérale amyotrophique (SLA) : évaluation des fonctions ventilatoires. Rev Neurol 2006, 162:4S188-4S194.
Esta orientações foram preparadas em colaboração com do Professeur Vincent MEININGER - Doctor Pierre-François Pradat - Centre de référence de la Sclérose Latérale Amyotrophique, Fédération des Maladies du Système Nerveux - Hôpital Pitié Salpêtrière- PARIS, Doctor Philippe Corcia - Centre Sclérose Latérale Amyotrophique - Hôpital Bretonneau, Tours, the Association pour la Recherche sur la Sclérose Latérale Amyotrophique et autres maladies du motoneurone, e Doctor Gilles Bagou - Doctor Laure Droin - SAMU-69 Lyon
Última atualização: 21 de Junho de 2007.
Estas orientações de emergência foram traduzidas com o apoio da Alexion. 










