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Colestase intra-hepática progressiva familiar tipo 1

Número Orpha ORPHA79306
Sinónimo(s) -
Prevalência 1-9 / 100 000
Hereditariedade
  • Autossómica recessiva
Idade de início Neonatal/infância
CID-10
  • K83.1
OMIM
UMLS -
MeSH
  • C535933
MedDRA -
SNOMED CT -

Sumário

A colestase intra-hepática familiar progressiva tipo 1 (PFIC1), um tipo de colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC, ver este termo), é uma doença hereditária do lactente na formação de bilis que é hepatocelular na sua origem e associada a características extra-hepáticas.

A incidência anual estimada de PFIC dos tipos 1-3 é de cerca de 1/100,000 nascimentos. A PFIC1 é o tipo menos frequente de PFIC.

A sua apresentação ocorre principalmente durante a infância. Os sinais clínicos de colestase (fezes sem cor, urina escura) geralmente aparecem nos primeiros meses de vida com icterícia recorrente ou permanente associada a hepatomegalia e prurido grave. Os doentes desenvolvem habitualmente fibrose e doença hepática de estadio terminal antes da idade adulta. Têm sido descritas características extra-hepáticas, incluindo baixa estatura persistente, diarréia aquosa, pancreatite e surdez neurossensorial.

A PFIC1 é causada por mutações no gene ATP8B1 (18q21-22) que codifica a proteína FIC1 expressa na membrana canalicular dos hepatócitos, bem como nos outros epitélios. Nos hepatócitos, a proteína anormal pode indiretamente perturbar a secreção de ácido biliar, explicando a baixa concentração de ácido biliar encontrada nos doentes com PFIC1. As características extra-hepáticas da doença estão provavelmente relacionadas com a expressão extra-hepática de FIC1. A PFIC1 deve ser suspeitada em crianças com história clínica de colestase de origem desconhecida após a exclusão das outras causas principais de colestase apresentam atividade da gama-GT sérica normal e alta concentração de ácido biliares séricos.

Normalmente, os níveis séricos de alfa-fetoproteína são normais e os valores da alanina aminotransferase cinco vezes inferiores ao limite superior do intervalo normal. A ecografia hepática é geralmente normal, mas pode revelar uma enorme vesícula biliar. A histologia hepática revela colestase canalicular e verdadeira ausência de proliferação canalicular com apenas metaplasia periportal biliar dos hepatócitos. Quando realizada, a colangiografia mostra uma árvore biliar normal e permite a recolha de bilis. A análise dos lipídios biliares revela ligeira diminuição da concentração de sal na bilis biliar. A genotipagem confirma o diagnóstico.

No âmbito da colestase com gama-GT normal, o diagnóstico diferencial inclui, principalmente, deficiências na síntese primária de ácido biliar e PFIC2 (ver estes termos). A transmissão é autossómica recessiva.

O diagnóstico pré-natal pode ser proposto se a mutação tiver sido identificada em cada um dos progenitores.

A terapêutica com ácido ursodeoxicólico (UDCA) deve ser iniciada em todos os doentes para prevenir dano hepático, mas não é totalmente eficaz. A rifampicina é útil para controlar o prurido. A drenagem nasobiliar pode ajudar a selecionar potenciais respondedores de desvio biliar. No entanto, por causa da colestase grave, metade dos doentes são, em última análise candidatos a transplante hepático (LT). A diarreia frequentemente piora após o LT e pode ser gerida favorávelmente através do tratamento com resina de absorção de bilis. O LT não impede a progressão da doença extra-hepática, e não proporcina recuperação do crescimento. Além disso, foi descrita esteato-hepatite grave do enxerto hepático. O seguimento especializado é obrigatório ao longo da vida. A deficiência de FIC1 predispõe ao desenvolvimento de colestase intra-hepática da gravidez (ver este termo).

Editor(es)

  • Dr Christiane BAUSSAN
  • Dr emmanuel GONZALES
  • Prof Emmanuel JACQUEMIN
  • Dr Anne SPRAUL

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Artigo de revisão
  • EN (2009)
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